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o desarranjo poético

quarta-feira, 23 de junho de 2010

K.

Fazia tempo que nao sentia cheiro de gente, gente miúda, que cabe na palmas escassas de vida de minha mao. Mal me lembro agora seu jeito e defeitos, recordo apenas o que no momento me tirava a atençao. Sorriso de meia boca, quase que falsidade, aturando as meias palavras de um mero beberrao. Menina tao pouco moça, que até a calada da noite ouviu meu sermao. Eu descobri em teu colo daonde vem a calma para a inquieta alma.
Nao conheço tua vida menina, mas me da tua pequenina mao só mais um pouquinho, só até eu dormir. Podiamos ter falado de tudo naquelas fraçoes de segundo. Da poeira, do caos, do mundo, das putas tristes, dos poetas tristes, dos amigos infelizes, daqueles que dançam, daqueles que cantam, daqueles que amam Drummond, daqueles que amam Da vinci, dos pobres, dos ricos, dos nobres, dos plebleus, dos meus, dos seus, dos nossos, dos apelos, dos pelos, dos arrepios, dos cabelos, da areia da praia em meus cabelos, dos amores de banheiro, dos amores de corpo inteiro, dos meninos que tem fome, dos meninos de Chernobyl, e das cores. CORES!

era tudo tao cinza por fora, mas tao azul por dentro.

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